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segunda-feira, 14 de julho de 2014

ENTREVISTA – PIETRO ANTOGNIONI FALA SOBRE SEU TRABALHO NO ÁLBUM PORTAIS!



QUANTA - COMO FOI O PROCESSO DE PRÉ-PRODUÇÃO DESSE TRABALHO, VOCÊ FICOU MUITO TEMPO TENTANDO ENTENDER QUAL O ESTILO QUE QUERIA? NO ÁLBUM É CITADO ALGUMAS OUTRAS POSSIBILIDADES DE ESTILO, FOI UM PROCESSO DEMORADO?

PIETRO ANTOGNIONI - Falando francamente foi bem lento na real. Na época não era o lance de entender o estilo em si. As influências que eu tinha naquele ano de 2008 ainda eram muito fortes (Roger Cruz, que fazia pouco tempo tinha tido aula) e tinha um estilo de hachura que o Loredano fazia que achava fantástico também. Enfim, ainda me encontrava meio perdido com que estilo desenhar a história. Só depois de alguns meses ou anos (1 ou 2 anos) desde que tinha topado fazer o projeto que estava com um estilo gráfico um pouco mais desenvolvido para começar a hq. É também aquele lance de está sempre insatisfeito com o trabalho. E tinha poucas ou quase nenhuma referência visual, isso me deixou por um longo tempo sem tocar no projeto. Não sabia que estética criar para um futuro tão distante que se passa a história. E eu não tinha paciência para desenvolvimento de concept art. Só hoje percebo a importância dessa etapa do processo de criação de universos.

QUANTA - QUAL FOI O ASPECTO GRÁFICO MAIS IMPORTANTE QUE TE LEVOU A OPTAR POR ESTE ESTILO? QUAL O FOI O PONTO ONDE VOCÊ DISSE “É ISSO!”.

PIETRO ANTOGNIONI - Bom, se você procurar desenhos mais velhos (2007, 2008, 2009) você poderá encontrar um tipo de arte-final muito parecida com a que o Roger Cruz fazia (pesos nas linhas), usei esse tipo de arte final por conta da aula que tive com ele. Mas depois de um tempo fui eliminando essa característica ficando cada vez mais próximo de um estilo mais desenho animado ou história em quadrinhos japonesas (Akira Toriyama, Katsuhiro Otomo, etc). E acredito que tenha sido esse o curso natural do desenvolvimento do estilo gráfico. Acho que foi por aí que o desenho já estava legal o suficiente para começar o trabalho.

QUANTA - O TRABALHO DE COR TAMBÉM FICOU MUITO BOM... É UMA MISTURA ENTRE “MANCHAS DE AQUARELA” COM UMA COR MAIS CHAPADA... ESSA ESCOLHA FOI CONSCIENTE? O QUE TE LEVOU A OPTAR POR ESSE DIRECIONAMENTO GRÁFICO?

PIETRO ANTOGNIONI - Na época que peguei o projeto (2008) eu tinha uma leve queda para o estilo de cor que o Cariello fazia. Algo mais próximo da pintura digital, do que só fazer cores chapadas. Optei (para a minha desgraça) esse estilo de pintura. No início não tinha prazo para esse trabalho, então fiz a pintura das primeira páginas com muito capricho, o que não deu para continuar nas páginas seguintes, por isso pode-se perceber um leve mudança no estilo de pintura (algo mais manchado e chapado). Tive que optar por esse tipo de acabamento por conta do prazo que tínhamos definido no Catarse. Na correria tive uma ajuda em algumas páginas do Carlos Bizarro e da Jenny Defensor. QUANTA - NA CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA, O CARIELLO PARTICIPOU DESSE PROCESSO?

PIETRO ANTOGNIONI - Não de forma direta.

QUANTA - COMO FOI ESSE PROCESSO? VOCÊS PENSARAM JUNTOS EM TODA A NARRATIVA OU O CARIELLO JÁ PASSOU PRA VOCÊ OS TUMBNAILS?

PIETRO ANTOGNIONI - Assisti algumas aulas de sua turma de HQ que ajudaram em como pensar na composição da página e na distribuição das informações dentro dos quadros. E outro pedido dele foi deixar tudo dentro de quadros sem ficar inclinando, saltando personagem dos quadros e nem alterando tamanho das calhas entre os quadros. Ele me deu algumas justificativas então segui seus conselhos. O Cariello só me entregou o roteiro com informações de linha do tempo e descrição de personagens e nada mais, como eu tinha dito antes sem nenhuma informação visual. Ficou a meu cargo desenvolver tudo mais, foi realmente um inferno para mim. Mas olhando o álbum como um todo me apetece um pouco mais as páginas posteriores a página 26 rs.

QUANTA - QUE TIPO DE NARRATIVA VOCÊ TEVE COMO BASE? AS PÁGINAS TEM UM ANDAMENTO MAIS CLÁSSICO, LEMBRANDO OS QUADRINHOS EUROPEU CONTEMPORÂNEOS.. TEM A VER ESSA AVALIAÇÃO? VOCÊ CHEGOU A TER OS QUADRINHOS EUROPEUS COMO BASE?

PIETRO ANTOGNIONI – Não tive muito acesso as hqs europeias. Algumas poucas somente (Tin Tin, Blacksad, Borgia, Asterix), e percebi que eles tem um formato de página bastante restrito dentro dos quadros com pouca sangria. Isso teve uma certa influência. Me dava a impressão de tudo estar mais organizado e de fácil leitura dentro de uma página de quadrinho. Diferente do carnaval que são as hqs de super-heróis hoje (herdadas dos maravilhosos anos 90) rs.

QUANTA - É SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA COM NARRATIVA LONGA? FOI COMPLICADO TRABALHAR COM TANTAS PÁGINAS?

PIETRO ANTOGNIONI - Sim. Foi a primeira hq longa que desenhei. No meio disso tinha feito uma hq para uma antologia para a Polônia (2009), era uma história curta de 9 páginas. Eu não aconselharia hoje as pessoas que estão começando a desenhar hqs a fazer algo tão longo. Realmente se gasta muita energia nesse tipo de empreitada (desenho, arte-final e cor). Muitas vezes pensei em desistir, mas acho que tudo o que eu precisava era realmente de prazo rs.

QUANTA - VOCÊ FAZ OS THUMBNAILS DA HISTÓRIA INTEIRA ANTES DE COMEÇAR A FAZER AS PÁGINAS EFETIVAMENTE?

PIETRO ANTOGNIONI - No início eu fazia um thumb de uma página e desenhava essa página até o fim (desenho, arte-final e cor), para depois passar para a próxima. Nas últimas 20 páginas fiz os thumbnails de todas antes de começar a desenha-las. Aconselho esse último processo. Você tem uma visão geral da história e pode ter mais controle sobre a narrativa dando uma integridade para todas as páginas, como elas conversam entre si etc. Então hoje trabalho esse processo de fazer todos os thumnails antes de começar a desenhar as páginas. É parecido com o pensamento sobre a estrutura de desenho: pensar no geral para depois ir detalhando aos poucos.

QUANTA - VOCÊ CURTE HQS DE FICÇÃO E FANTASIA? ALGUM ARTISTA QUE VOCÊ GOSTA MAIS, QUE VOCÊ USA COMO INSPIRAÇÃO?

PIETRO ANTOGNIONI - Gosto bastante desses tipos de universos fantásticos. Portais reúne praticamente os dois mundos, criaturas esquisitas utilizando alta tecnologia. Então foi algo que me atraiu muito, pois adorava jogar RPG com meus amigos e essa história me lembrava dessa época. Sempre estou descobrindo novos desenhistas e pintores então fica difícil falar de quem eu mais gosto, aqui vão alguns nomes: Roger Cruz, Octavio Cariello, Hermann Mejia, Juarez Ricci, Rodolfo Damaggio, Nicolas Uribe, Otomo, Toriyama, Juanjo Guarnido, Mike Mignola, Moebius, Kinu Nishimura, Maurício Cardenas, etc. São muitos nomes afinal. Pode-se dizer que os uso como inspirações diárias também.

QUANTA - SEI QUE VOCÊ ESTÁ ENVOLVIDO EM OUTRO PROJETO DE HQ PARA INTERNET... VOCÊ PODE FALAR UM POUCO SOBRE ESSE TRABALHO?

PIETRO ANTOGNIONI - Sim, estou. Isso surgiu não me lembro se nas aulas propriamente ditas ou depois dessas aulas (roteiro para hq com a Marcela Godoy) em 2012. Eu notei que o Mateus era RPGista ou gostava desse hobby, realmente não me lembro se a gente tinha conversado sobre o assunto, mas topamos fazer algo juntos para ele por em prática suas habilidades de escritor e eu de narrador. Levou bastante tempo para que Elos (nome da hq) saísse, foram conversas para desenvolvimento de universo e roteiro, mas tudo ocorreu bem e lançamos a hq há pouco tempo. Decidimos lança-la depois de Portais para não complicar minha vida. Então o pessoal pode acompanhar nosso trabalho semanalmente, foi uma maneira também de não parar de desenhar página de quadrinhos. Já que isso exige uma certa disciplina.

QUANTA - ANSIOSO PRA VOLTAR AO UNIVERSO DO PORTAIS?

PIETRO ANTOGNIONI - Não mesmo haha! Foi algo muito estressante de se fazer. O processo de arrecadação de fundos no Catarse e todo o estresse de terminar tudo no prazo. Então por hora estou de olho em outros projetos para fazer (Elos é um deles), mas quem sabe nos próximos anos tenhamos uma continuação de Portais, hein?


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