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terça-feira, 7 de junho de 2005

BEM VINDO AO DILEMA por RONALDO BARATA # 14




UM ESTÚDIOZINHO PRA CHAMAR DE SEU...

Esta é outra dúvida recorrente entre os aspirantes a ilustrador: Ser freelancer ou procurar emprego em algum estúdio?

Primeiramente, devemos ter em mente que não há um caminho certo pra se seguir. Eu diria até que cada um trilha um caminho único, que não serve para mais ninguém.

Posto isso, este texto não visa “responder” a questão do que é melhor. A ideia é apenas esclarecer alguns pontos para os profissionais recém-chegados.

SEMPRE FREE!

Ser profissional liberal (freelancer) significa ter que fazer os trabalhos que surgirem (seja lá o que for), manter um portfólio atualizado, divulga-lo, ser disciplinado com relação às horas de trabalho diárias e prazos de entrega, sair pra fazer reuniões, criar novos contatos com outros freelancers e organizar trabalhos conjuntos, ser vendedor do próprio trabalho, trabalhar normalmente sozinho, quase não sair de casa, manter-se atualizado das mudanças do mercado, fazer sua própria contabilidade, administrar cada centavo ganho, viver na incerteza de ter algum rendimento neste ou naquele mês, aguentar as picuinhas e chiliques do cliente, não ter férias e nem fazer feriados, ficar o tempo todo pensando em como arrumar mais um job... e tudo isso ao mesmo tempo!

Ser um empregado significa ter dia, hora e lugar para trabalhar, conviver com outras pessoas (nem sempre pessoas agradáveis), ter um chefe e ouvir bronca dele, ter horário para trabalhar - mas poder esquecer-se de tudo isso quando vai embora -, não ter que lidar com o cliente, dividir responsabilidades e trabalhos com outras pessoas... e ainda por cima ter um salário garantido no fim do mês, receber 13º no fim do ano e direito a férias anuais, feriados etc.

Olhando a grosso modo, ser funcionário é muiiiito mais legal!
Mas não... Pense novamente:

Não é que ser freelancer seja fácil - na verdade, é bem mais difícil do que parece - ou que ser funcionário seja "só vantagens", mas devemos lembrar que estamos no Brasil, o lugar onde nada é como deveria ser.

Como aqui nestas terras brasileiras a ilustração é muito menosprezada e mal remunerada, vira quase regra que um emprego na área não tenha lá grandes salários.

Já no trabalho por conta, apesar da irregularidade (nem sempre o freelancer tem trabalho), pode se ganhar muito, mas muito mais recebendo, digamos, direto da fonte. Você faz seu preço e não o divide.

Isso, somado ao fato de não ter chefe, trabalhar em casa e fazer seus próprios horários faz com que a maioria dos ilustradores acabe fazendo esta opção.

Mas existem outras.

OS CAÇADORES DO ESTÚDIO PERDIDO

Podem ser poucos, mas existem por aí estúdios que contratam ilustradores. Ache-os (a maioria tem sites na internet...) e candidate-se à vaga.

Antes, claro, tenha em mente as 10 lições para ser um ilustrador profissional (http://www.quanta-conversa.blogspot.com.br/2000/05/bem-vindo-ao-dilema-01-18052011.html).

- Mas como achar os estúdios? - questiona o ofegante menino do fundão.

Uma boa maneira (a mais fácil - eu já disse isso) é a internet. Mas você também pode começar a frequentar livrarias e bancas de revistas e prestar atenção aos nomes creditados nas ilustrações. Alguns são nomes de estúdios.

Depois, procure na internet pelos nomes creditados e voilá! Mande seu portfólio!

Alguns destes estúdios até podem trazer em seus respectivos sites links de "trabalhe conosco", com todas as orientações para isso.

Também passe a frequentar eventos relacionados à área, conheça pessoas do meio e troque figurinhas. Eles poderão te indicar aonde ir e o que fazer.

Seja como for, lembre-se que este é um país que nem sequer considera "ilustrador" uma profissão, logo, não há regulamentação do setor. Não há carteira assinada, direitos trabalhistas ou coisa do gênero. Claro que as empresas honestas dão um jeito de encaixar um funcionário em um "similar" qualquer, fazendo com que o funcionário receba o que é definido por lei.

Mas, se você está procurando emprego nesta área, é bom começar a se acostumar com a ideia de não ter carteira assinada. Não importa o quanto seu pai engenheiro lhe diga que isso é importante, 9 em cada 10 empresas que contratam ilustradores não o registram. E não adianta reclamar.

Outro porém é justamente o "9 em cada 10"... É possível que 10 seja um número bem próximo do TOTAL de estúdios no Brasil, pelo menos de estúdios com condições de contratar alguém - a maioria dos estúdios no Brasil não passa de um profissional solitário que abriu um pequena empresa para poder emitir notas fiscais.

Logo, no Brasil, não há muitos lugares para se procurar emprego de ilustrador. E nem adianta procurar nos classificados de domingo...

No fim, apesar dos pesares, um estúdio pode até ser uma boa maneira de começar uma carreira.

PUBLICIDADE E PROPAGANDA

Não é assim tão comum, mas algumas agências de publicidade costumam manter ilustradores (ou equipes de desenhistas) em seu quadro de funcionários.

Isso, não necessariamente para fazer ilustração publicitária, mas mais para fazer layouts, story boards, concepts e outros materiais de bastidor.

Aqui, ao contrário do que costuma acontecer, a remuneração pode ser bem gorda. Mas você terá de abdicar de boa parte de sua vida pessoal pra isso – é um trabalho quase “de sol a sol”.,

Tá preparado pra trabalhar na pauleira, sempre sobre pressão e em horários ingratos em troca de um bom salário?

O CAMINHO “THOR BAPTISTA”

Se você é uma destas pessoas mais abastadas financeiramente, pode partir pras cabeças e abrir você mesmo um estúdio.

Não é uma boa pedida, na minha opinião... Além de não ter experiência, ainda terá de lidar com toda a problemática de uma empresa – o que por si só já é beeem complicada.

Enfim, tem gente que escolhe este caminho... eu não recomendo.

JOGA QUE EU TE AJUDO

Um setor ainda indefinido, mas em crescimento no Brasil é o setor de games. Produção de jogos eletrônicos mesmo.

Ainda não se sabe o que será desse mercado no futuro, mas no presente há muitas novas empresas nesse setor e elas contratam de programadores a ilustradores para fazer os jogos.

ESCOLHA COM SABEDORIA, PEQUENO GAFANHOTO

Como você deve ter notado, não há solução mágica. Só há prós e contras.

Seja qual for o caminho que você escolher, tenha em mente que não será fácil.

Mantenha os olhos em seu objetivo futuro e vá fundo. Só cuidado com as armadilhas.

CUIDADO: PILANTRAS À VISTA!

Neste momento eu faço um pequeno adendo para falar de algo que está se tornando cada vez comum no mercado: Nem carteira assinada e nem funcionário avulso.

Quando contrata alguém, como manda a lei, com carteira assinada e o escambau, há uma série de encargos trabalhistas que a empresa é obrigada a pagar. Isso faz com que o funcionário custe para ela o dobro de seu salário.

Pra fugir destes custos extras, muitas empresas não registram e aproveitam pra não pagar horas extras, 13º e outras coisas “sem importância” para o funcionário, que por sua vez, quando demitido, vai e põe a empresa “no pau”, obrigando-a pagar muito mais do que pagaria se tivesse assinado a carteira.

Ou seja, nenhuma das duas opções é boa para o empresário: Numa ele perde lucro, na outra toma multa.

Mas o empresarial brasileiro, aquele empresarial moleque, empresarial arte, que dá um “jeitinho” pra tudo, lançou agora a nova moda: Não contratam mais funcionários, contratam empresas prestadoras de serviço!

Isso diminui substancialmente os encargos a serem quitados com o governo – que, é bom frisar, não ajuda em nada nessa relação.

Que maravilha!

Porém, na prática o que acontece é que a empresa contrata alguém e o obriga a abrir uma pequena-empresa em seu nome e a passar nota fiscal todo mês pra receber o que, na realidade, é um salário.

Aí sobra para o “não funcionário” pagar impostos empresariais, as taxas sobre nota fiscal, contratar um contador... valores que oscilam de mês a mês, mas seu salário continua sempre o mesmo fixo.

No frigir dos ovos, isso é um vínculo empregatício como qualquer outro, mas desta maneira a empresa é quem se livra de todas as responsabilidades sobre o funcionário, podendo até mesmo dispensá-lo a qualquer momento, sem aviso prévio ou qualquer remuneração extra e não dando direito a coisas como o seguro desemprego. Se parar pra pensar, nem férias eles precisam dar...

E isso tem ocorrido em todos os setores acima citados!

Puta sacanagem, meu!!

Um comentário:

  1. Anônimo8:25 PM

    Obrigado pelas dicas.
    Valeu mesmo.

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