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quarta-feira, 3 de novembro de 2004

Bem vindo ao Dilema # 09 - 03/05/2012

ONDE NASCEM OS DESENHISTAS? 

INFLUÊNCIA: (latim medieval influentia, -ae), s. f. - 1. Ato ou efeito de influir; 2. Influxo, ascendência, preponderância; 3. Ação que uma pessoa ou coisa exerce noutra; 4. Entusiasmo. 


CÓPIA: (latim copiar, -ae, riqueza, abundância), s. f. - 1. Transcrição um texto escrito. = TRASLADO; 2. Reprodução de uma obra de arte. ≠ ORIGINAL; 3. Reprodução fotográfica de um documento em papel. = FOTOCÓPIA ≠ ORIGINAL; 4. Reprodução de documento em formato digital; 5. Imitação, plágio. 


PLÁGIO (latim plagium, -ii, roubo de escravos, plágio), s. m. - 1. Acto ou efeito de plagiar; 2. Imitação ou cópia fraudulenta. 

Toda criança, assim que sua cordenação motora passa a permitir, desenha. Sem exceções. Todos nós começamos a nos expressar, depois do choro e da fala, com desenhos. Não é a toa que psicólogos infantis põem as crianças para desenhar ao tentar entender o que se passa na cabeça delas.

Acontece que, em determinada parte da infância, a maioria abandona esta forma de expressão e se concentra em outras coisas.

Nós, os desenhistas, somos justamente aqueles que não abandonaram nunca esta maneira que se expressar.

O primeiro passo natural do desenho é tentar representar o que nos cerca: Nossa família, amigos, brinquedos, as coisas que acontecem na escola… Mas conforme nossa percepção visual se desenvolve ficamos mais exigentes com as figuras que fazemos e o passo seguinte é tentar elaborar ainda mais estas imagens.

É a partir daqui que começamos a reparar nos desenhos alheios, em como outros desenhistas trabalham e tentamos reproduzir isso. Queremos não mais fazer as coisas que nos cercam e passamos a querer desenhar o personagem do desenho animado na TV, exatamente do mesmo jeito que o autor o fez.

Mas continuamos crescendo e nosso senso estético vai se tornando ainda mais complexo. Começamos a perceber não só “o que” foi feito naquele desenho que admiramos, mas entendemos também o “como” ele foi feito. Assim fazemos uma cópia mais precisa.

E aí, quando tudo dá certo, entendemos o processo, a ideia por trás, e deixamos a cópia de lado para seguirmos “nossos próprios passos”.

É justamente durante este processo que se formam as referências de um desenhista, as suas influências – aqueles artistas que, de uma maneira ou de outra, serviram de parâmetro visual e nos quais nós nos espelhamos antes de andarmos com as próprias pernas.

É natural que haja algumas similaridades entre o desenhista e suas referências. Umas de maneira muito sutil (outras nem tanto), mas estarão lá.

Só que existem algumas pessoas que, seja por insegurança, preguiça ou o que for, não “caminham” sozinhas e continuam sempre copiando alguém.

Alguns se tornam tão dependentes que não conseguem fazer nada sem o desenho de outro pra seguir. Os mais cara-de-pau chamam estes desenhos de “referência”… mas não são. São cópias mesmo. Uma reprodução direta da imagem gerada por outro alguém.

É muito comum algumas pessoas montarem seus portfolios com cópias de desenhos feitos por outros. Muitas ainda vêem isso como vantagem (“Veja! Não ficou igualzinho?”). Mas, como já disse antes, se eu quero o trabalho do Jim Lee, por que eu vou procurar a cópia?

- Mas e as pessoas que trabalham nos estúdios Disney, que desenham tudo igual uns aos outros? – pergunta a meninazinha de aparelhos nos dentes.

Aí é um caso diferente. Os artistas nesses casos não copiam, só sabem como fazer para ficar da mesma maneira que outros desenhistas. Eles sabem construir desenhos no estilo de outros e não apenas reproduzir uma imagem pronta.

Sacou onde está o ponto importante? Um bom desenhista consegue entender o processo e reproduzir o estilo, não o desenho. O copista é uma máquina de xerox natural.

Outra característica visível no copista é que ele não tem estilo próprio. Todo desenhista tem seu jeito de trabalhar, seu raciocínio gráfico, coisa que acaba gerando uma espécie de “impressão digital” de cada artista. É o DNA gráfico, aquele “quê” que faz você saber quem é o autor da obra que esta vendo.

Você pode mudar as roupas, mexer o braço, trocar as cores… mas o DNA do desenhista que você está copiando continuará lá e os outros o verão.

Infelizmente, tem certos nichos de mercado que até estimulam esta prática. Na publicidade, por exemplo, é bem comum as pessoas te pedirem para “fazer igual, mas diferente”. E neste momento é que a cópia se transforma em plágio.

Uma pessoa copiar outro artista por que o admira ou por que é insegura demais pra fazer os seus próprios desenhos é uma coisa, agora ganhar dinheiro em cima do desenho dos outros é uma outra conversa.

Quando você copia os traços ou ideias dos outros e os usa para um trabalho, um concurso ou até mesmo para seu portfolio (que afinal, tem fins lucrativos), você está plagiando. E isso, além de não ser bacana e queimar seu filme no mercado de trabalho, é crime de direitos autorais.

Pra entender melhor porque isso é tão ruim, pense no caminho contrário: Você treina, estuda e rala um bocado pra se tornar um desenhista e aí vem um outro cara e ganha em cima de seu suor, te deixando a ver navios. E, além de tudo, ainda assume a autoria de tudo aquilo o que você ralou pra conseguir fazer!
Legal, não?

Mas o mais triste em toda esta história é que o pior dos desenhos originais de um desenhista é muito melhor do que qualquer cópia perfeita que ele possa fazer.

Pense nisso.

3 comentários:

  1. Legal,gostei também. Realmente, copiar outro artista por admiração e para ganhar em cima de suas ideias são coisas diferentes (e de fato, queima até a fita da própria pessoa!). Quem é profissional de verdade, tem a capacidade tanto para copiar(como no exemplo das pessoas do estúdios Disney) quanto criar. Sabendo que ambos não se misturam.

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