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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ENTREVISTA BARATA – EXPOSIÇÃO PINUPS BARATAS




No dia 22 de novembro, a partir das 18h, a Quanta Academia de Artes abre mais uma exposição bacaninha por aqui! O ilustrador e diretor do Quanta Estúdio de Artes apresenta suas artes inspiradas em diferentes estéticas de pinups e com sua levada cartoon!

Leia a entrevista que fizemos com ele sobre esse trabalho!

Quanta – Seu trabalho tem um direcionamento bem cartoon, ou “estilizado”. Fala um pouco das suas influências. Quem são os artistas que te levaram a fazer essa opção?
Vixi... difícil esta. Tem muita gente! Bom, de cara tem Mauricio de Sousa e a Turma da Mônica, que foi por onde comecei a ler quadrinhos e me interessar por desenho. Depois vieram os desenhos animados da TV... sempre curti os Hanna-Barbera, nos longas da Disney (os clássicos mesmo) e os Looney Toons e cia. Nessa leva, os que mais influenciaram meus desenhos acho que foram o Tex Avery e Chuck Jones. Tinha alguma coisa naqueles cartoons "tortos" que eu sempre achei foda.

Também tiveram alguns mangás / animês, como Zillion e Akira que mudaram muito a minha forma de ver desenho, mas eu pirei mesmo quando surgiu a série animada do Batman, produzida pelo Bruce Timm - acho até que esta é uma das influências mais evidentes no meu trabalho.

E depois, já mais velho, vieram as influências, digamos, mais "pin ups" e quadrinhos: Dean Yeagle, Bill Presing, Shane Glines, Marcelo Campos, Roger Cruz, Joe Madureira, Sean Galloway, Gendy Tartakovsky, Chris Sanders, Artur de Pins... bom, como disse, a lista é longa!

Quanta – Você sempre gostou de desenhar pinups, dê onde vem isso? Tem algum artista de pinup que você curte mais? Algum que também tenha esse direcionamento cartoon que você tem?

Na verdade não. A história é meio longa, mas vou tentar resumir.
O primeiro contato que me lembro com uma ilustração de pin up foi em algum filme sobre a segunda guerra (acho que foi no Império do Sol). Uma arte que aparecia pintada em um avião em algum lugar... Lembro de ter achado algo fenomenal, mas que ficou hibernando em meu subconsciente durante quase toda a minha vida (eu tinha uns 8 anos quando isso aconteceu).
Logo eu comecei a estudar desenho e acabei conhecendo o trabalho de artistas influentes e famosos como o Norman Rockwell, o Gil Elvgren, Alphonse Mucha... mas confesso que na época não tinha conhecimento e maturidade suficientes pra entender o que rolava ali. Eu sempre me interessei por cartoons, desenhos animados e sempre desenhei nessa direção.
Isso até um dia quando uma empresária tentou me contratar para fazer uma série de pin ups pra ela - digo tentou porque o trabalho acabou não acontecendo. Aquele era um território completamente novo pra mim, algo com o qual eu não estava familiarizado. Tentei de todas as maneiras que pude, mas não importava o quanto tentasse a resposta era sempre a mesma: não está sensual.

E o trabalho não rolou, mas a paranoia na minha cabeça ficou: como eu não conseguia desenhar algo sensual?

Acho que foi nesse momento que toda aquela informação visual que hibernava em algum recanto obscuro da minha mente, aquelas mulheres e sua sensualidade datada, as formas curvilíneas, as expressões faciais caricatas, tudo veio à tona.

Voltei a ler sobre as pin ups, ver, entender os artistas, seus processos... E, o que deveria ser apenas uma série curta de desenhos para saciar minha obstinação, passou a ser um extenso estudo que dura mais de uma década.

Foi nessa época que descobri os trabalhos de cara como Dean Yeagle, o Shane Glines e o Bill Presing. Também foi aí que "redescobri" o trabalho do Bruce Timm - na verdade, descobri que ele tem um trabalho de pin ups cartoons também. E foi meio por aí...

Destes, acho que meu preferido é Bill Presing... mas não dá pra enumerar estas coisas.

Quanta – Você finalizou a pouco tempo um baralho só com pinups.. Quanto tempo você levou neste projeto? Este trabalho será vendido? Onde e a partir de quando?

Sim! Já há algum tempo eu tinha vontade de fazer algo assim, mas sempre foi complicado... e quando o Bill Presing (sempre ele!!!) e o Josh Cooley lançaram um baralho de pin ups, uma inveja mortal se abateu sobre mim e tive certeza que tinha de fazer o meu também!
Levei cerca de 3 meses pra fazer 54 cartas ilustradas - não foi em tempo corrido porque fazia as pin ups apenas nas horas vagas.

E sim, serão vendidos os baralhos (mais pra pagar o custo de impressão, pra ser bem honesto) a R$ 35,00 no dia da abertura da exposição (dia 22/10/2014), na Quanta Academia de Artes. Não sei se haverá vendas em outro lugar porque a tiragem será apenas de 100 exemplares, sem previsão de reimpressão. Como não tenho ideia de quantas pessoas virão na abertura da exposição e quantas comprarão o baralho, não sei se sobrará pra vender posteriormente... Mas que vier na exposição e comprar ainda vai levar um sketch original feito na hora, com autógrafo (pra valer mais no e-bay depois que eu morrer). hehe.

Quanta – Todas as meninas retratadas no baralho são personagens de mitologia e cultura pop, deu trabalho selecionar estas personagens? Quanto tempo você levou entre pesquisar e selecionar as que você queria?

Mais ou menos... a minha primeira ideia foi pegar personagens de mitologia pra fazer como tema. Personagem mulheres ou criaturas genéricas que pudessem ser "pinupzadas". Comecei fazendo de cabeça - como sou um nerdzinho destas coisas, sabia várias. Mas depois da vigéssima, o Google foi minha salvação. Ainda assim, cheguei numas 40 e a coisa complicou. As personagens que sobraram eram muito sem graça e absurdamente desconhecidas...
faltando um naipe inteiro pra ilustrar, decidi pegar personagens femininas de clássicos da literatura. No fim, achei que ficou legal... afinal, a literatura e a cultura pop são a mitologia moderna... não?

Quanta – As pinups tem um estilo meio “definido” em termos de composição.. Existem umas estéticas meio gerais como as famosas pinups dos anos 20 ou 50... Cada uma delas tem apelos diferentes em termos de postura da figura... Quando você cria as suas, você pensa no tipo de estética que vai trabalhar?

Penso sim. Neste trabalho de pin up a ideia era fazer algo que lembrasse os materiais clássicos dos anos 40 e 50 em termos de estética e pose, mas com essa cara de cartoon e com humor imbutido. Pelo menos um humor discreto (e infame).

Quanta – Você faz pesquisa de vestimenta, moda... Esse tipo de referência?

Sempre. Isso é quase obrigatório pra mim... hehehe

Explico: Quem me conhece - ou já me viu aí nas internet - sabe que eu sou um cara muito antenado no mundo da moda (leia esta última frase com muito tom de sarcasmo). Sendo assim, de cabeça, todo personagem que desenho se veste da mesma maneira: calças jeans, tênis e camiseta. No máximo, bermuda. Pra eu conseguir sair disso, só pesquisando e escolhendo alguma coisa destas que os humanos vestem por aí... De novo, só o Google salva.

Quanta – Em termos de composição de cena, você se preocupa com uma estética específica quando estrutura a imagem? Procura reproduzir a estética específica que está homenageando em termos de composição de cena?

Nestes trabalhos de pin ups sim. Procuro sempre fazer composições que lembrem as pin ups clássicas, apesar das temáticas e do estilo serem bem distintas. Mas tento manter sempre a cara do clássico: Mulheres voluptosas no centro da imagem em situações meio cômicas/constrangedoras/sensuais. Como uma "pose pra foto sem querer".

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