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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CURSO DE DESENHO – O CONCEITO DA QUANTA – parte UM

Como desenhar? O que é aprender a desenhar? Como devemos desenhar? Como e o que é desenhar bem? Como ensinar a desenhar?

Aprender a desenhar é uma coisa simples.
Aprender a desenhar, é uma coisa bastante complexa.

Já passei muito tempo pensando sobre métodos de um curso de desenho, de como estruturar um curso de desenho. Qual o conceito que utilizamos no processo de aprender a desenhar, como ele difere de outros processos. E todas estas coisas.

Quando eu era criança, existiam os famosos cursos do que chamávamos desenho artístico. Esse termo era basicamente utilizado para diferenciar cursos como o citado acima, dos que eram considerados desenho técnico; relacionados à arquitetura, mecânica, engenharia, etc.

Desenho artístico era tudo o que estava relacionado às aulas dedicadas ao estudo da anatomia humana, comparada, animal, além de desenhos de paisagem, retrato, natureza morta, observação e tudo mais. Todos estes direcionamentos estavam diretamente ligados ao estudo com base na observação direta do real. O que era isso na prática? Estes cursos de desenho artístico consistiam em o aluno trabalhar única e exclusivamente com uma referência direta, seja ela com modelo vivo, observação de natureza morta, paisagem, ou referências fotográficas.

Não sei se vocês têm idade pra ter escutado isso, mas antigamente quem desenhava quadrinhos, ou trabalhava em animação, tiras, ilustração e tudo mais, sempre escutava esse tipo de pergunta: “você desenha de cabeça?”.

O que exatamente significava desenhar de cabeça?

Resposta: desenhar sem referências.

Provavelmente, este tipo de pergunta existia por conta dessa idéia de desenho e curso de desenho artístico, onde o estudante, o artista, focava seu desenvolvimento e esforço na observação, reprodução e certa interpretação destas referências.

Meu interesse em desenho vinha basicamente do que via na televisão, com os desenhos animados, nas HQs e nas tiras. Dentro deste ambiente específico de interesse, desenhistas mais clássicos como Alex Raymond, John Prentice, Harold Foster, Frank Frazetta, Burn Hogarth, John Buscema, Neal Adams, José Luis Garcia Lopes, Jim Aparo, entre outros, me mostravam o que era possível fazer com a utilização mais rígida, vamos dizer assim, do uso das referências. Para mim, estes eram os desenhistas realistas, eram os que faziam o tal desenho artístico.

Mas eu percebia que existia outro processo de se aprender a desenhar sem o uso “rígido” das tais referências. Trabalhos como os de Chester Gould, Jerry Robinson, Dick Sprang, Jack Kirby e outros me mostravam que existiam maneiras diferentes de se interpretar as observações que fazemos do real. Tudo isso começou a fazer outro sentido para mim; se os desenhistas clássicos representavam o chamado desenho artístico, estes desenhavam de cabeça! Como fazer isso? Como eu poderia chegar no estágio de evolução em que estes desenhistas estavam?

Era, é claro, uma maneira diferente de se ver a coisa, e certamente invalidava minha
primeira argumentação sobre o tema, já que muitos destes artistas citados como desenhistas clássicos também “desenhavam de cabeça”, sendo tão capazes de criar a figura humana, animal, paisagem, etc, sem a utilização de uma referência, quanto os que desenhavam “de cabeça”.

Sempre me interessei mais pelos chamados estilizados, pelos que, pra mim, “desenhavam de cabeça”. E queria entender porque aquilo acontecia. Qual a diferença de método, de conceito.

Com o tempo, comecei a entender que era algo próximo de entender a diferença entre Michelangelo e Picasso. Seria isso um tipo de diferença de estágio de evolução? Por isso, para mim, as diferenças em termos de conceito entre desenho artístico e o “desenhar de cabeça” se tornou algo maior do que apenas desenhar usando, ou não, referências.

Quando me falavam que eu desenhava bem, e que deveria procurar um curso de desenho, tinha medo de estudar dentro do conceito de desenho artístico, e imaginava o que poderia encontrar em um curso de desenho que estruturasse sua forma de abordar estes temas dentro de minha perspectiva. Ficava imaginando como poderia ser esse curso? O que ele ensinaria, como conduziria estes temas e qual método que ele utilizaria...

FIM DA PARTE UM

Marcelo Campos

Conheça o nosso curso de desenho.

2 comentários:

  1. Muito bom! Avise quando sair a proxima parte.

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  2. Muito bom. Nunca havia pensado no desenho sob essa ótica. Fico na espreita da 2° parte...

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