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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Desenho em um Curso de Desenho

Vamos falar sobre aprender a desenhar. Vamos falar sobre como construímos o curso de desenho da Quanta. Como nossa escola de desenho funciona e como acontece nossa aula de desenho.

O que é desenhar? Já disse aqui em outros textos que a maneira como a Quanta gosta de pensar, é que não existe uma maneira correta de se desenhar, que não existe matemática nisso. Já disse que não existe o desenhar certo, ou o desenhar bem, ou o desenhar errado... O que existe são as conduções e condições profissionais desses termos, ou seja, o que existe são as exigências do mercado de trabalho e de suas diversas linhas editoriais. O que é desenhar bem para uma linha editorial específica, o que é não desenhar bem para certa linha editorial específica, e por aí vai. Já disse também, que desenhar é uma forma de expressão e, para todos - tanto para os que desejam ser profissionais ou não - existe a possibilidade de se expressar através do desenho.

Quando se tem uma escola de desenho, um curso de desenho, a função é ensinar. Fazer com que aqueles que estão aqui tenham sanadas suas expectativas em aprender a desenhar. Assim, o que procuramos fazer em nossa escola de desenho, é equilibrar muito bem a equação TÉCNICA / LINGUAGEM GRÁFICA (Só para elucidar o termo LINGUAGEM GRAFICA: é o que comumente se chama ESTILO. Achamos que a palavra estilo não reúne exatamente o que consideramos personalidade gráfica, ou seja, o artista ter, ou desenvolver, o chamado estilo próprio), por isso, em nossas escola de desenho usamos a terminologia Linguagem Gráfica. Simplificando, procuramos conceitualizar nossa escola de desenho e sua filosofia dentro da possibilidade de ensinar sem destruir a Linguagem Gráfica própria do aluno.

O ensino de desenho estava ligado ao estudo (quase que exclusivamente) acadêmico. Mas, já há muito tempo, escolas de desenho consideram este tipo de condução insuficiente para o estudo do desenho, pintura, ilustração e tudo mais. Os cursos de desenho e escolas de desenho estão tentando alcançar o equilíbrio entre dois direcionamentos; o clássico e o “moderno”. Existe até mesmo a preocupação de uma polarização entre os dois extremos, escolas de desenho centradas apenas no acadêmico e outras apenas no moderno. Este moderno consiste em entender que tudo é arte, “deixando o aluno livre demais” e desconsiderando o acadêmico.

A Quanta também procura este equilíbrio entre as duas correntes, e também procura fazer isso mantendo a Linguagem Gráfica própria do aluno que chega até nós.

Para continuar conversando sobre isso (e mais tarde chegar onde quero), preciso antes dar a você uma idéia sobre o que estou chamando de acadêmico e moderno.

Como acadêmico, me refiro ao estudo com base no neo-clássico, a interpretação do real com princípios rígidos de um período da arte grega e romana que, de certa forma, engessava a criatividade. E como moderno, incluo o contemporâneo e vanguarda.

Sei que esta é uma discussão bem menos simplista da que estou propondo aqui, mas queria apenas esclarecer estes dois conceitos de forma geral.

O estudo acadêmico de desenho, pintura, etc, é tão importante quanto o chamado moderno (e este também já está em idade bastante avançada). As relações entre artista, arte e público mudaram com o tempo, com a imprensa, com a publicação. Os mercados mudaram. Agora não apenas pintamos papas, reis, nobres ou decoramos igrejas... Servimos a outros propósitos, a outros veículos. Antes servíamos à nobreza e à religião, hoje, ao entretenimento e à informação.
Mas ainda nos expressamos. E o estudo acadêmico é uma ferramenta poderosa para que consigamos nos expressar melhor. Ela não é uma ferramenta obrigatória, talvez hoje ela já não seja vista da maneira pragmática como antes, mas pode ser encarada como necessária na obtenção de resultados melhores, mais conscientes.

Claro que ainda existem os artistas que propõe. Apresentam conceitos e idéias, sem terem em vista mercados, que não vejam a arte como um meio de subsistência, ou a “dualidade” expressão / subsistência. Mas, até mesmo eles são inseridos, querendo ou não, em um mercado. A arte, a expressão, o discurso de artistas plásticos também são consumidos, classificados, absorvidos pelo mercado específico das artes plásticas, então, sob este ponte de vista, torna-se também um “produto”.

Marcelo Campos

2 comentários:

  1. A Quanta sempre passa uma idéia de dinamismo em relação às escolas tradicionais de arte. É preciso manter discussões deste tipo postadas no site pois por muitas vezes, os aspirantes a artistas profissionais que entram na escola estão tão encantados com as possibilidades de arranjar um emprego desenhando que acabam perdendo um pouco os discursos e não ouvindo o que os mais velhos tem a dizer. Bem, na época que estudei na escola (Fábrica de Quadrinhos, 2000-2001, na 9 de Julho) só prestava atenção quando o assunto fosse quadrinhos ou Art & Comics...hahah
    Abração, Marcelo.

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  2. Otimas as dicas que vcs dão aqui,nao simplismente
    só a parte de desenvolver algo que nao tenha um plano por trás que é a estrutura do desenho
    antes eu só rabiscava sem pensar no esboço que é o alicerce da arte,quando comecei a esbocar vi que
    o resultado final é muito melhor!!!
    valeu as dicas indiretamente vcs ajudam pessoas
    como eu a acreditarem no seu sonho que é ser desenhista de quadrinhos.
    Valeu Quanta quem sabe um dia eu não faça parte
    da equipe.
    Alan Fernandes
    Brasilia DF.

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