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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

CONDIÇÃO CRÍTICA por ALEXANDRE MAKI - Crítica: Bellflower

Bellflower (2011)


Bellflower é um filme norte-americano independente que foi feito com orçamento baixíssimo. Vem ganhando notoriedade e, apesar de não ser tão arrebatador quanto a campanha de marketing ou a imprensa quer fazer acreditar, é realmente muito interessante e impactante. Ainda mais levando-se em conta que é praticamente um filme caseiro. Inicialmente parece uma história de romance que transforma-se num road movie que então progride para o drama e chega quase a ser horror. Mas tentar resumir a trama aqui seria inútil e provavelmente haveria spoilers. Veja o trailer e, se gostar, assista ao filme. Um dos maiores destaques é a fotografia que embora em muitas partes seja bem saturada e estilizada mesmo assim traz um certo grau de realismo. A câmera quase sempre no ombro também é fundamental para essa sensação. Além disso, eles até criaram uma câmera especial para atingir um visual específico. A edição é muito interessante apesar de algumas transições e passagens de tempo estarem estranhas. Com isso, o ritmo muitas vezes sofre e sequências que poderiam ser mais contemplativas estão rápidas demais enquanto outras que deveriam ser curtas estão monótonas demais. Mas nada que atrapalhe o filme como um todo. Os personagens todos parecem muito genuínos apesar de a maioria das falas soar um tanto artificial (como um adulto tentando falar que nem adolescentes). Mas os atores são convincentes e foram bem escolhidos para os papéis. O importante é você acreditar que está observando pessoas e não personagens. Mais uma vez, tudo é voltado à sensação de realidade. Se não parecesse verdadeiro e sincero, não funcionaria nesta história. Se quer algo um pouco diferente dos filmes comerciais e que ao mesmo tempo tenha um grande impacto emocional, assista a Bellflower. Vale, no mínimo, pela curiosidade em descobrir o que é possível fazer de forma independente hoje em dia. Apenas esteja avisado de que há cenas de violência, nudez e sexo. [A partir daqui provavelmente há spoilers! Não leia adiante se ainda não assistiu ao filme.] O fato do romance progredir rapidamente e acabar quando ainda não estamos nem no meio do filme indica que muita coisa ainda acontecerá. É aqui que tudo vai ficando progressivamente mais bizarro. A referência a Mad Max acaba sendo incidental pois queriam apenas mencionar algo que fosse memorável e pós-apocalíptico. O Apocalipse é tratado como metáfora ao fim traumático de um relacionamento. O carro Medusa simboliza a auto-estima do protagonista que o amigo ajuda a modificar ou, de certa maneira, reconstruir. Após o "Apocalipse" ele percebe que nada realmente muda, mesmo após o "fim do mundo". Todas estas metáforas são interessantes porque não estão muito óbvias e era algo que eu realmente não esperava. Assim como a sobriedade e maturidade em lidar com relacionamentos afetivos mesmo mostrando personagens com atitudes extremamente imaturas na maior parte do tempo. Eu imaginei que tudo a partir da cena do acidente fosse alucinação/imaginação/sonho mas estava errado. Porém, não completamente errado. Não foi difícil imaginar que a parte do devaneio não era a realidade pois foi ficando cada vez mais bizarra ao mesmo tempo em que as atitudes e falas foram ficando menos reais. Mesmo não sendo uma grande surpresa foi uma tentativa interessante de mexer com as expectativas do público. Mas seria mais impactante se terminasse antes da reviravolta, se tudo aquilo fosse mesmo a realidade e o filme terminasse com o protagonista gritando no meio da rua. Aí ele literalmente seria o único sobrevivente e a sensação de Apocalipse seria mais completa. Mas, mais uma vez, o caminho escolhido foi o da realidade e a mensagem do filme tornou-se completamente diferente. Não ruim ou pior, apenas diferente. Apesar de todos os pesares, Bellflower tem suas qualidades e vale a pena ser visto.



Apresentação para o Sundance Film Festival:

 Entrevista com Evan Glodell e Tyler Dawson:

 Um passeio na Medusa - parte 1:

 Um passeio na Medusa - parte 2:

 Durante a produção do filme, Sean Combs (P. Diddy ou seja lá qual for o nome que ele está usando nesta semana) deu US$1000 para Evan Glodell:

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